Meios de comunicação e pluralidade de informação
Bruna Cynthia
Um simples encontro de jovens de várias regiões do País deixa clara uma idéia que assusta: eles não se reconhecem como habitantes de um mesmo Brasil. E o pior, não sabem nada do outro além do que os meios de comunicação permitem.
Dada a proporção continental do País, é um tanto compreensível que nem toda a cultura do outro seja conhecida pelos demais. Mas, vivemos numa época em que os meios de comunicação têm o papel fundamental na vida da população. Eles estão presentes em todos os lugares. Porém, na maioria das vezes, atuam como agentes massificadores, condensado e uniformizando uma população enorme, como a brasileira.
Durante o Enecom (Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação) vivi algo que me assustou. Num grupo de discussão (GD) que tratava de concentração dos meios do comunicação e pluralidade da programação, cerca de 14 estudantes de jornalismo e publicidade, com quase a mesma idade e interesse, discutiam a democratização da comunicação, construída com base em meios e ações alternativas.
Numa discussão sobre porque os meios locais não abrem espaço e incentivam a produção de programas alternativos (como debates, reportagens culturais, turísticas, políticas, etc), chegamos a conclusão de que eles apenas reproduzem o que as grandes emissoras fazem. Não possuem diferencial. Não têm identidade local ou reginal. Estão descaracterizados, massificados, amorfos.
Estavam, ali, jovens do Pará, Brasília, Alagoas, São Paulo e Rio de Janeiro. Uma diversidade enorme de culturas. O que conhecíamos uns dos outros? Nada além do que a grande mídia oferece diariamente e que se resume no eixo-violência Rio-São Paulo. Não conhecíamos o outro enquanto ser histórico, social, cultural, brasileiro.
É triste, mas é verdade. A mídia está mais interessada em unificar que em caracterizar e diferenciar os diversos brasis contidos no País.